terça-feira, agosto 21

Parada ela fica ali. Olhando pra um lado, pro outro e, nada. Será que ela espera alguém? Embriagada pelo perfume dele que em seu pensamento e ao vento ainda sente, na mente, aquele sorriso e aqueles olhos - ela não os esquece, nunca. Um cigarro aqui, outro ali, doses de whisky e é isso o que ela diz que tem pra hoje. Reclama que espera demais por alguém que não virá, mas, não sai da janela. Reclama do estrago que ele fez e do vício que ele deixou daquele perfume, ela aloprada por aquele aroma - parece que sem igual, mesmo aquele perfume sendo vendido em outras lojas - sente o cheiro ao vento e relembra os "eu te amo" ao pé do ouvido. Tola. E ela continua parada, olha pra um lado, pro outro e, nada. Reclama e culpa quase todos os caras da cidade - quem sabe até do mundo - por apenas um ter machucado-a. As amigas dão conselhos, vão dar uma volta mas, mesmo assim, ela sempre leva aquele maço de cigarro pra sei lá, esquecer. Engraçado, ela sorri, mas, o tamanho do sorriso dela, é o tamanho da dor dela. E ele, a procurou. Ela não resistiu e sorriu com aqueles olhos lindos e aquele sorriso branco feito neve. Tola. E no outro dia, ela continuou sentada, olhando pra um lado, pro outro e, nada. Ontem a noite, ela admitiu pra si mesma que estava ainda esperando por aquele que à faça voar, porém, na mesma hora se deu um tapa e acordou. Tola. Ainda acredita nos papos infames e ilusionistas daquele cara e, sorri. Incrível! E essa noite, ela olhou pros quatro cantos daquela rua e de si mesma, levantou-se da janela, jogou a garrafa de whisky fora e os maços de cigarro também, tossindo claro, resolveu fumar por bobeira, por ele. Pegou a vassoura e a pá, varreu e recolheu dali aquelas bitucas de cigarro e os maços jogados ao chão e, de dentro dela, varreu e recolheu também tudo o que restava daquele cara. Prometeu pra si mesma que não faria mais isso, que não se deixaria abaixar a cabeça novamente por qualquer um, mesmo ela achando que ele fosse o amor da vida dela. Tola, ela sempre acha isso. Mas sabe, é que ela ama intensamente - até demais -, ela se preocupa de um jeito extraordinário e quer. Ela aguenta e segura todas as pontas e quando o coração diz "Chega!", ela bate no peito e diz "Acorda!". Mas hoje não, essa noite foi diferente. O coração disse "Acabou?!" e ela "Sim!" e ele retrucou e retrucou o motivo pelo qual ela desistia, mas ela aguentou demais, sofreu demais, gritou demais, bebeu demais, dormiu demais, cansou demais, perdeu tempo demais e se desgastou, por nada. Essa noite, ela prometeu novamente que a partir daquele momento, os pensamentos eram dela e ponto. Que não haveria mais ele por lá e, o coração deu outro murro e disse "Por que vai desistir? Você me fez apanhar e apanhar pra desistir?". Ela sorriu, levantou a cabeça, acertou o corpo, endureceu a coluna, engoliu a saliva e aquele amor idiota, o deixando queimar no ácido do estômago e disse "Você apanhou e apanhou, mas é tolo como eu fui e ainda quer apanhar mais?", o coração louco e enfurecido por mais um amor ao léu disse "Sim! Você lutou, lutou e lutou, pra chegar na praia, na beira da água, sufocada de secura e sede e, morre... E desiste?". E de novo ela tossiu e retrucou, com voz firme, colocando um fim nessa parafernália toda: "Sim coração, desisto! Você apanhou e eu apanhei, agora é a nossa vez de bater. Nós sofremos e de tanto sofrer, nos fizemos mais forte. Mas calma, ainda virá outro bobo pra te fazer sorrir e te derreter, para depois, voltar e continuar te derretendo, porém, dessa vez, em prantos. Portanto, não discuta comigo, você quis meu bem, agora eu quero o nosso. Chega de sofrer, chega desse vai e vem. Agora coração, é nós dois e ponto. Deixa de ser trouxa!". Assim ela seguiu a noite, o coração calado e ela sorrindo, mas no fundo no fundo, os dois sabiam que ainda doía e, muito. Mas, orgulhosa e orgulhoso, tanto ela e o coração, tanto ele.

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