Eu só queria que você percebesse que eu sempre estive ali. Que eu sempre
estive andando ao seu lado, disfarçadamente, com um sorriso leve nos
lábios e de braços abertos para te acolher a qualquer recaída. Só queria
que você me enxergasse, nem que seja por míseros dois minutos. Eu
queria que você percebesse que eu não havia desistido dessa coisa que
chegamos a chamar de amor. Porque eu ainda estava ali berrando por você.
Eu gritava totalmente sem voz “eu tô aqui, idiota, eu ainda tô aqui”.
Porque todas as vezes que eu te soltava, você me puxava de volta. Você
me pegava desprevenida por aí e me convencia de que ainda havia
esperanças para nós, então eu insistia. Eu insistia nesse nosso amor,
mesmo tendo todos os motivos para desistir de você. Ainda acreditava
naquele ‘nós’ que nem mesmo existia. Porque eu era totalmente sua, eu
era sua antes mesmo de saber que um dia você iria me querer. E a cada
erro seu, eu me fazia de idiota. Fingia ser cega e enchia o peito para
dizer que tava tudo bem, não foi nada não. E a cada pequeno acerto seu,
eu era reconquistada. Eu continuava caminhando rumo a seus braços, mesmo
sabendo que eles não iriam me acolher. Desaparecia de vez em quando, só
para que você pudesse sentir minha falta, mesmo sabendo que minha
ausência não te incomodava. Acontece que você não encontraria outra
igual a mim, e parecia saber disso. Eu era a única que te compreendia -
pelo menos tentava. Fui compreensiva a ponto de deixar meu orgulho de
lado para entender o que estava acontecendo, qual era o drama, qual era o
assunto inacabado ali. Tive que aprender a lidar com sentimentos que eu
nem mesmo sabia que sentia. Eu fui tudo, companheira, conselheira,
psicologa, melhor amiga e qualquer outra coisa que queira acrescentar na
lista. E o que você foi pra mim? Um dia mal dormido, uma noite com
lágrimas, um minuto sem assunto, você foi a distancia, a tristeza e a
saudade. Todos nossos momentos bons não compensava todas as vezes em que
você desapareceu e voltou com a notícia de que havia feito alguma merda
qualquer. Eu ignorava, te queria tanto que deixava pra lá. Te queria
tanto, que não importava a quantidade de merdas que você fez, ia direto
para seus braços sem pensar duas vezes. Mas, dessa vez, parecia estar
acabando, parecia que a bolha que nos protegia havia estourado. Eu
poderia jurar que senti o peso do mundo no momento em que ela se
destruiu, como se você estivesse muito distante para que meus gritos
mudos pudessem te alcançar. Você não olhou para trás. Não pensou em mim,
não pensou que eu ainda poderia estar ali, talvez nem tenha se
importado com o que deixou para trás. E mais uma vez, eu enfrentaria os
sentimentos mais dolorosos que alguém já pôde ter inventado. Enfrentaria
a saudade, a tristeza e a distancia… Eu enfrentaria você.
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