sábado, dezembro 15

Eu só queria que você percebesse que eu sempre estive ali. Que eu sempre estive andando ao seu lado, disfarçadamente, com um sorriso leve nos lábios e de braços abertos para te acolher a qualquer recaída. Só queria que você me enxergasse, nem que seja por míseros dois minutos. Eu queria que você percebesse que eu não havia desistido dessa coisa que chegamos a chamar de amor. Porque eu ainda estava ali berrando por você. Eu gritava totalmente sem voz “eu tô aqui, idiota, eu ainda tô aqui”. Porque todas as vezes que eu te soltava, você me puxava de volta. Você me pegava desprevenida por aí e me convencia de que ainda havia esperanças para nós, então eu insistia. Eu insistia nesse nosso amor, mesmo tendo todos os motivos para desistir de você. Ainda acreditava naquele ‘nós’ que nem mesmo existia. Porque eu era totalmente sua, eu era sua antes mesmo de saber que um dia você iria me querer. E a cada erro seu, eu me fazia de idiota. Fingia ser cega e enchia o peito para dizer que tava tudo bem, não foi nada não. E a cada pequeno acerto seu, eu era reconquistada. Eu continuava caminhando rumo a seus braços, mesmo sabendo que eles não iriam me acolher. Desaparecia de vez em quando, só para que você pudesse sentir minha falta, mesmo sabendo que minha ausência não te incomodava. Acontece que você não encontraria outra igual a mim, e parecia saber disso. Eu era a única que te compreendia - pelo menos tentava. Fui compreensiva a ponto de deixar meu orgulho de lado para entender o que estava acontecendo, qual era o drama, qual era o assunto inacabado ali. Tive que aprender a lidar com sentimentos que eu nem mesmo sabia que sentia. Eu fui tudo, companheira, conselheira, psicologa, melhor amiga e qualquer outra coisa que queira acrescentar na lista. E o que você foi pra mim? Um dia mal dormido, uma noite com lágrimas, um minuto sem assunto, você foi a distancia, a tristeza e a saudade. Todos nossos momentos bons não compensava todas as vezes em que você desapareceu e voltou com a notícia de que havia feito alguma merda qualquer. Eu ignorava, te queria tanto que deixava pra lá. Te queria tanto, que não importava a quantidade de merdas que você fez, ia direto para seus braços sem pensar duas vezes. Mas, dessa vez, parecia estar acabando, parecia que a bolha que nos protegia havia estourado. Eu poderia jurar que senti o peso do mundo no momento em que ela se destruiu, como se você estivesse muito distante para que meus gritos mudos pudessem te alcançar. Você não olhou para trás. Não pensou em mim, não pensou que eu ainda poderia estar ali, talvez nem tenha se importado com o que deixou para trás. E mais uma vez, eu enfrentaria os sentimentos mais dolorosos que alguém já pôde ter inventado. Enfrentaria a saudade, a tristeza e a distancia… Eu enfrentaria você.

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